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MACBETH: AMBIÇÃO E GUERRA (Macbeth)

por Antonio Carlos Egypto

Macbeth é uma das mais importantes peças de William Shakespeare (1564-1616). Escrita provavelmente entre 1603 e 1607, foi apresentada pela primeira vez nos palcos em 1611. E é continuamente reencenada em todo o mundo. Agora mesmo, em São Paulo, há uma montagem teatral de Macbeth em cartaz, até o final de janeiro de 2016, dirigida por Ron Daniels, com Thiago Lacerda e Giulia Gam nos papéis principais.

No cinema, Macbeth já foi filmada por mestres da sétima arte, como Orson Welles, em 1948, ou Roman Polanski, em 1971. Akira Kurosawa também a adaptou, no filme Trono Manchado de Sangue, em 1957. Temos, em 2015, uma nova versão cinematográfica, que vem do Reino Unido, sob a direção de Justin Kurzel e que faz jus à importância e ao significado cultural que Macbeth ostenta.

A nova versão é bem sofisticada em termos visuais. Explora a baixa luminosidade de largas paisagens escocesas e envolve as batalhas em densa neblina. Esse clima, onde prevalecem as brumas, dá conta da escuridão de sentimentos que acompanha a matança pelo poder. E não só a das batalhas, mas a de todo o reino, que se mantém e se renova pela violência. 

Se é de sangue que se trata, o filme explora, em belos enquadramentos, cenas em vermelho. Sombrio, mas também luminoso. O recurso da câmera lenta e do congelamento da imagem evita que um excesso de sangue se exponha desnecessariamente. E simplifica a filmagem de algumas cenas de batalhas.


Silhuetas se destacam no cinzento da névoa, no entardecer, no cromatismo rouge. A chuva cumpre seu papel na plasticidade dos planos retratados.

Bruxas, que aparecem e desaparecem, conduzem a história por meio de seus presságios e antevisões, que falam da conquista de grandes poderes e de elementos aparentemente mágicos que podem trazer derrotas. Os personagens construirão com planejamento, artimanhas, medo e espadas, os vaticínios das bruxas.


Por poder se mata, se mente, se deteriora o humano. Onde estarão os limites, pergunta Shakespeare? Nada mais atual.

Macbeth, bem interpretado por Michael Fassbender, grande ator contemporâneo, e Lady Macbeth, pela versátil atriz francesa Marion Cotillard, protagonizam o trágico casal real que atravessou séculos de história para nos contar da íntima conexão entre poder e violência e das terríveis consequências que advêm deles. O que, infelizmente, testemunhamos todos os dias neste atormentado século XXI.


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1 comentários:

Diego Castro disse...

Estou ansioso para ver esse filme

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