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INVOCAÇÃO DO MAL (The Conjuring)


por Tiago Paes de Lira

Creio que dentro do imaginário coletivo, o gênero terror é mal visto por dois motivos: a sequencia infindável de filmes tidos com trash ou B e a recente leva de filmes que não assustam. Os últimos anos tem sido particularmente ruins para o gênero, mas Invocação do Mal escapa disso. Não é um filme brilhante, e visualmente tem características de outros grandes clássicos do terror. Mas é digno de sustos genuínos e provavelmente vai perturbar os mais sensíveis, e os que creem em possessão, demônios e outras coisas macabras.

Baseado numa história supostamente real que aconteceu em 1971, Carolyn (Lili Taylor) e Roger Perron (Ron Livingston) se mudam para uma casa de campo em Rhode Island. Eles e suas cinco filhas logo começam a se deparar com estranhos sons e cheiros na casa. Quando os eventos começam a ficar mais constantes e perigosos, Carolyn consegue entrar em contato com Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), um famoso casal especializado em demonologia e no oculto. Constatando que a família corre perigo por causa de uma antiga maldição, eles se preparam para enfrentar um mal que nenhum dos dois tinha visto até então.

O diretor James Wan consegue transformar um mundo alegre de uma família grande e que tem um sonho realizado num verdadeiro horror. Começa pela paleta de cores da fotografia, mais cinza e com tons pasteis, quase vintage. Além de emular cores setentistas, o diretor de fotografia John R Leonetti usa desse artifício para saturar toda a experiência que os Warren estavam passando. Com exceção de uma fotografia colorida de um período de férias, que Carolyn diz ter sido o último momento feliz deles, todo o clima é muito carregado e melancólico. É um peso que acompanha toda a projeção, como uma névoa que permeia todos os envolvidos.

Os movimentos de câmera são ótimas adições na trama. O diretor mistura estática e movimento para criar tensão. Numa investida inteligente, Wan mantém o tripé fixo nas cenas do lado de fora da casa dos Perron. E do lado de dentro, a câmera na mão é usada na maior parte, indicando uma presença, um observador que não é o espectador do filme. Os planos longos também são opressivos porque seguem os personagens na exploração de barulhos e vultos. E é ótimo quando os sustos vem dessa situação, porque o elemento não é jogado na nossa cara, e estava ali o tempo todo, mas você só percebe com a mudança de ângulo quando já é tarde. A cena da escada, quando Roger acorda e investiga barulhos e se espanta com a presença de uma das filhas parada na escada, é um susto genuíno.

Existem elementos que já foram usados em outros filmes de terror e repetidos aqui, mas isso não tira a qualidade da história. O design de som é muito vívido, e é interessante quando Wan consegue sincronizar as batidas sinistras com as do coração dos personagens. E não se surpreenda ao perceber que o diretor conseguiu perceber quais são as suas batidas. É essa é uma impressão que fica.

A surpresa fica pela pergunta que tanto fazem. O filme assusta ou não? Os mais sensíveis provavelmente darão mais pulos, e alguns mais céticos repetirão que é só mais um filme. É uma pena que Wan não consiga manter o ritmo de sustos subjetivos, quando na metade do filme tira a presença que estava nas sombras e a mostra de corpo inteiro. Ainda assim, até mesmo quem é mais acostumado com filmes de terror, deve levar um susto ou dois. Outras decisões técnicas também agradam, como na cena de investigação do porão, onde a razão de aspecto muda e se transforma num plano sequência. Por outro lado, Wan usa muitas vezes zooms da câmera, ao invés de se aproximar com ela do seu foco. Isso tira beleza do filme, deixando-o mais artificial.

A maior força de “Invocação do Mal” é a empatia criada com os personagens. Você simpatiza por causa do que aquela família está passando, desde a perda do cachorro até quando a entidade torna a situação pessoal e perigosa, na marcante cena em que todos os retratos dos Perron pendurados caem subitamente no chão. É uma pena que a mesma relação não é estabelecida com Ed e Lorraine. No fim das contas, é digno de se assistir. Se possível, numa sala grande de cinema, com pouca gente em volta. Mergulhar assim na tensão vai ser interessante.

Não há cena pós-créditos, mas fique um pouco durante eles para ver fotos e relatos reais dos Perron e dos Warren – uma necessidade presente nos cineastas para provar que a história foi realmente baseada em fatos reais . O filme provavelmente terá uma sequência, por causa da relação estabelecida entre uma casa e outra, envolvendo um espírito vingativo, numa cena que com a perturbadora boneca Anabel, criando gordura para a um novo capítulo.


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SE PUDER... DIRIJA!


por Beto Besant


João (Luis Fernando Guimarães) é um pai ausente e promete à sua ex-mulher Ana (Lavínia Vlasak) que passará um dia inteiro com seu filho Quinho (Gabriel Palhares) após ter faltado a mais um aniversário do menino. Seu colega de trabalho Ednelson (Leandro Hassum) sugere que pegue o carro de uma cliente médica de nome Márcia (Bárbara Paz), pois são manobristas de um estacionamento.
Obviamente, nada acontecerá como o planejado e situações supostamente engraçadas ocorrerão.


Terceiro longa-metragem de Paulo Fontenelle (que assina roteiro e direção), foi alardeado como o primeiro filme de ficção em 3D feito no Brasil, mas bem que poderia se chamar Se puder... ria!

Mais um título das recentes comédias populares sem graça que tentam fazer gordas bilheterias, o filme é uma sucessão de erros. A começar pelo uso desnecessário do 3D. No filme não existe nenhuma necessidade de usar-se esta técnica que encarece em muito a produção. Nota-se que é apenas para se dizer que foi o primeiro no país.

Outro erro é que nem a escalação de Luis Fernando Guimarães (habituado a fazer graça mesmo que não esteja apoiado em algum texto brilhante) consegue sustentar o filme, e parece constrangido em ter aceito o trabalho.


Na sequência da foto acima, tenta-se fazer graça com o nome do cachorro: Moleque. Além desta não ser das melhores piadas que o humor já produziu, o diretor tenta extrair alguma graça dela até a última gota, repetindo a tal "piada" durante cerca de um minuto, o que no filme parecem horas e horas. 

Leandro Hassum é o único que chega perto de se conseguir fazer graça, o que, para um comediante talentoso e experiente como ele, mostra o nível de tragédia desta "comédia".

Para piorar, Fontenelle cria uma cena que visa atrair jovens garotas que se contentam apenas com um rosto bonito e um romance forçado. Escala os belos Reinaldo Gianecchini e Lívia de Bueno. Numa participação constrangedora, Gianecchini (que diz ter aceito o papel antes mesmo de saber do que se tratava - o que poderia tê-lo salvado deste vexame) é atropelado por Luiz Fernando Guimarães e é levado para o hospital. No caminho, o carro em que estão é guinchado, e a motorista do guincho é Lívia. Ao se verem, a cena é tão constrangedora que inclui até a bela moça soltando os cabelos em câmera lenta.

Não satisfeito, o diretor ainda tenta fazer graça com escatologias como flatulências, lavagem estomacal e todas as necessidades físicas praticadas num banheiro.

O previsível melodrama final do entendimento entre pai e filho nada convence o público, pois o roteiro não tem desenvolvimento suficiente para emocionar no final. O que qualquer novela mexicana sabe fazer há décadas.

Ou seja, é o tipo de filme que só consegue arrancar risadas daquele tipo de público que vai ao cinema com tanta disposição pra rir que é capaz de dar gargalhadas até com uma tela vazia.



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SEM DOR, SEM GANHO (Pain and Gain)


por Beto Besant

Daniel Lugo (Mark Wahlberg) é um "personal trainer" que já não aguenta mais sua vida financeiramente limitada. Assiste a uma palestra de auto-ajuda e, acreditando que o universo conspira com quem vá atrás de seu ideal, reúne mais dois fisiculturistas: seu colega de academia Adrian (Anthony Mackie) e Paul Doyle (Dwayne Johnson), um ex-presidiário convertido à vida religiosa.

O plano aparentemente infalível, ao menos para "brutamontes" que não tem em seus intelectos suas maiores virtudes, era sequestrar Victor Kershaw (Tony Shalhoub) seu cliente mais endinheirado, e fazê-lo passar tudo que possui para eles.

Como já era de se esperar, o plano não acontece como o previsto e eles tem que improvisar.



Dirigido por Michael Bay, criticado por muitos e idolatrado por tantos devido a enormes sucessos como Transformers e Armageddon, o filme é uma tentativa do diretor de se lançar num filme de "baixo orçamento", ao menos para seus padrões: 26 milhões de dólares.
Apesar de todos terem trabalhado por valores abaixo dos praticados, e o diretor usar sua própria casa como locação, as sequências sofisticadas de ação e câmeras ultra-lentas também estão na tela.

O roteiro escrito por Christopher Markus e Stephen McFeely começa com ugo sendo perseguido pela polícia e parte para um grande "flashback", onde acompanhamos a história desde seu início. Não é um roteiro brilhante mas surpreende por começar de forma leve, com criminosos trapalhões, mas que vai evoluindo para uma violência capaz de assustar a muita gente.
Ao final, nos surpreendemos ao saber que uma história com tantos elementos que pareçam ficcionais seja uma história real. É interessante ver quem são as verdadeiras pessoas retratadas na trama, porém, se esta informação fosse apresentada desde o início tornaria o filme mais saboroso.

O elenco também não faz feio, Wahlberg está bem, e fisicamente bem mais forte do que já o conhecemos. Porém, a grande escolha foi Johnson, que apesar de seu limitadíssimo talento, foi a escolha certa para interpretar um fisiculturista pouco inteligente. O sempre eficiente Ed Harris completa o elenco interpretando o detetive que descobre todo o plano.

Apesar de ser o tipo de filme que vai agradar mais aos jovens, principalmente do sexo masculino, é uma boa escolha pra quem quer um divertimento com qualidade e com "estômago forte".


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Camille Claudel, 1915 (idem)


por Beto Besant

O filme retrata os anos em que a escultora Camille Claudel (Juliette Binoche) esteve presa num manicômio francês.
Tida como uma mulher que quebrou muitas barreiras em relação aos direitos femininos, teve um surto após o término de seu relacionamento com o escultor Auguste Rodin, que a levou a ser considerada louca. Seu talento incontestável, que na época não foi valorizado devido ao machismo vigente, coloca-a para muitos conhecedores como sendo superior a de seu amante Rodin.


Dirigido por Bruno Dumont (de filmes como Humanidade, Fora de Satã e O Pecado de Hadewich), o filme é extremamente lento. Ao invés do padrão do cinema clássico dividido em três atos (onde o primeiro mostra as coisas saindo de ordem, o segundo todo o processo para que o equilíbrio seja retomado, e o terceiro restabelecendo o equilíbrio), o diretor opta basicamente por ficar apenas no segundo ato.

O filme já começa com a protagonista internada e convivendo com as internas (que o diretor optou por colocas pessoas que realmente possuem distúrbios mentais), com o passar dos dias, a convivência, somada com a privação de liberdade e de poder realizar sua arte, a escultora vai se desesperando com a possibilidade de não sair mais. Principalmente quando fala com o médico e com seu irmão, o escritor Paul Claudel (Jean-Luc Vincent).

A escolha de não atores para comporem o manicômio foi acertada pelo diretor, conhecido por sempre trabalhar com não atores. Também foi acertada a escolha de Binoche para protagonizar, pois dificilmente outra atriz faria o filme com tal competência. A lentidão do filme foi a forma que Dumont encontrou para fazer com  que o público percebesse o martírio que Camille deve ter sentido no tempo em que á esteve. O problema é que isso torna o filme extremamente lento e cansativo.

Apesar de ser talvez a melhor interpretação de Juliette Binoche, da excelente fotografia, direção e direção de arte, o filme é para um público muito específico, amante daqueles filmes europeus mais contemplativos.


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RENOIR (idem)


Antonio Carlos Egypto

Pierre-Auguste Renoir (1851-1919), o grande pintor impressionista francês que celebrava a vida, a alegria das pessoas, as festas, a beleza da natureza e o corpo feminino na Paris luminosa de antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial, é o personagem principal do filme de Gilles Bourdos.



Só que a película “Renoir” remete ao final da vida do pintor, quando ele só consegue andar de bengala e pinta numa cadeira de rodas, com pincéis amarrados aos dedos, por conta do reumatismo que o afligia. Mas continuava demonstrando otimismo, vitalidade e serenidade, em que pese o esvair da vida. Perdera a mulher e seus dois filhos foram feridos na frente de batalha. Estamos em 1915.


É quando irrompe em sua residência, no sul da França, em Cagnes, uma jovem linda e exuberante, que será sua musa e lhe dará um novo alento e entusiasmo. Pierre-Auguste (Michel Bouquet) se encantará com a nova modelo para seus quadros: Andrée (Christa Theret). Ao mesmo tempo, Jean Renoir (Vincent Rottiers), filho do pintor e que se tornaria um dos diretores de cinema mais importantes da história, retorna à casa paterna com ferimentos de guerra e se envolve com a musa do pai, a tal ponto que ela será sua primeira esposa. A última grande musa do pintor será o primeiro amor do cineasta.


É dessa história e desse momento final da vida do pintor Renoir que se nutre o filme de Gilles Bourdos. A narrativa flui lenta e até um tanto rotineira, procurando mostrar um clima e uma situação de vida de um homem idoso no seu ocaso, mas de um talento e otimismo tão grandes que tudo isso pode ser muito estimulante para ele, consubstanciando-se na figura de uma mulher jovem, cheia de vida.


Para o espectador, acompanhar a história do modo como ela é contada não é tão estimulante assim. Chega a ser até aborrecida, em alguns momentos. Mas o filme tem um grande mérito: procura reconstruir em imagens as cores que caracterizavam os quadros impressionistas de Renoir. O ambiente da residência remete à pintura, com suas luzes e tons tão característicos.


O vínculo do pai pintor famoso com o filho que irá criar obras-primas da arte cinematográfica, como A Regra do Jogo, de 1939, e A Grande Ilusão, de 1937, também interessa. A pintura e o cinema, convivendo numa época, primeiro, dourada, depois conturbada da Europa, e sendo retratados no trabalho de um e de outro, merecem atenção. Embora o filme não explore isso, como poderia.


A figura do pintor é convincentemente vivida por Michel Bouquet. Já o futuro cineasta tem pouca força no filme. Aparece como jovem amante e filho, mas sem maiores referências ao grande artista que ele será. O ator Vincent Rottiers também não dá a dimensão devida ao personagem. A musa desejada por ambos, vivida por Christa Theret, tem vigor, energia e beleza para iluminar um filme, que é bonito, sem chegar a empolgar.


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TURBO 3D


por Beto Besant

No dia 16 de julho aconteceu a pré-estreia da nova animação da DreamWorks. O evento aconteceu no Autódromo de Interlagos (São Paulo/SP) e contou com a presença do ator Bruno Garcia, que dublou a voz do protagonista e dos pilotos Bia Figueiredo e Tony Canaã, que assessorou os estúdios para a realização da animação trazendo mais realidade às cenas.

Toni Canaã, Bia Figueiredo e Bruno Garcia
O filme traz um Caracol chamado Theo que é um aficionado por corridas, apesar de sua natureza ser um empecilho. Para dar vasão a esta paixão, asiste a corridas pela TV colado ao vidro do aparelho, que num primeiro momento dá a impressão ao público de estar realmente correndo.

Durante o dia colhe tomates numa plantação, sempre ridicularizado pelos colegas e aconselhado por seu irmão a desistir do sonho, pois caracóis são lentos. Certo dia, num acaso (bem a calhar ao roteiro) adquire poderes de um "carro de corrida".

Ao se tornar famoso no You Tube e ser incentivado por Tito, um mexicano dono de uma lanchonete falida, decide brigar pelo direito de disputar uma corrida nas 500 Milhas de Indianápolis. Como pode-se deduzir, com um argumento mais fraco do que o que lhe dá superpoderes, consegue disputar a corrida contra o famoso francês Guy Champeón.

Dirigido por David Soren, que assina o roteiro junto com Robert Siegel e Darren Lemke, tem um resultado previsível até para uma criança, mas é divertido e sabe usar o bem 3D em sequências só possíveis em uma animação.
Conforme observou a piloto Bia Figueiredo, ela pode se identificar com o personagem pelo fato de que, antes de conseguir seu espaço em uma tão disputada competição, todos lhe diziam que mulheres não correm na Fórmula Indy.

Resultado, uma boa diversão, que agrada a crianças e adultos.


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TESE SOBRE UM HOMICÍDIO (Tesis sobre un homicidio)



por Roberto Bouchiglioni

A importância dos detalhes é uma ideia que se repete ao longo desta “Tese Sobre um Homicídio”, uma coprodução hispano-argentina dirigida pelo argentino Hernán Goldfrid (de Música em espera, 2009). O roteiro, escrito por Patrick Vega, é baseado em um romance homônimo, do escritor Diego Paszkowski.

Roberto Bermudez (Ricardo Darin), especialista em Direito Penal, está envolvido na investigação de um crime que aconteceu no estacionamento da Faculdade de Direito, a poucos metros da sala de aula onde leciona, em Buenos Aires.

Bermudez toma a solução do caso como um desafio pessoal depois de um pouco de pesquisa e reflexão, pois tem razão para acreditar que o culpado é Gonzalo Cordera (Alberto Ammann), um dos alunos que mais se sobressaem no seminário ministrado por ele.

Gonzalo, idealista, não mora na Argentina. É um advogado promissor em início de carreira e decidiu especializar-se na pós-graduação, escolhendo ser orientado por este a quem aprendeu a admirar, mesmo à distância: Bermudez formou-se com o pai dele - Felipe Ruiz Cordera, hoje juiz na Espanha - e foi, por longos anos, amigo íntimo da família. A fim de aproveitar ao máximo a proximidade com o mestre, Gonzalo sempre busca o diálogo. Num dos encontros, na tarde de autógrafos de lançamento do livro escrito por Bermudez, Gonzalo faz menção a Nêmesis, deusa grega da indignação e do castigo, que perseguia os perpetradores de crimes impunes. Na concepção do mestre, Nêmesis é a deusa da vingança.

A obsessão germina na mente de Bermudez e se espalha por seu corpo como uma doença. O professor estimado, bem relacionado também no meio policial de Buenos Aires, se convence de que o assassino vai matar novamente, para demonstrar seu ideal de justiça. Bermudez fará todo o possível para proteger quem poderia ser, em sua visão, a próxima vítima, no caso a irmã da jovem assassinada. A menina que corre perigo chama-se Laura Di Natale (Calu Rivero). Ela passa a ocupar a lacuna deixada pela irmã no restaurante em frente à Faculdade de Direito, trabalhando como garçonete.

Neste aspecto, a adaptação do roteiro segue um caminho diferente do material original: enquanto no livro a história é contada a partir de dois diferentes pontos de vista (a atuação da polícia de Buenos Aires também é levada em conta), o filme centra-se em Bermudez. Se por um lado a decisão permitiu melhor emprego do suspense ao criar sequências de investigações do especialista, com narrativa em primeira pessoa, propiciou a contrapartida de tornar a trama condutora em excesso, deixando pouco espaço para as conclusões do espectador. Será?


Há evidências sutis de que Bermudez, desde o início do seminário, não se sente confortável com a presença de Gonzalo, em razão do passado, da convivência que teve com a família Cordera. Ao resgatar de sua estante antigo projetor de slides, há muito aposentado, Bermudez demonstra inquietação. As imagens do aniversário de sete anos do garoto Gonzalo, na casa dos Cordera, mesclam-se com os pensamentos obsessivos de Bermudez. Parece que todos nós, na sala de cinema, desvendamos o crime junto com o protagonista. Será?

Aspecto fundamental - talvez mais importante que trazer à luz o autor do crime - é tratado no diálogo de Bermudez com a psicóloga que é sua ex-mulher (interpretada por Mara Bestelli), a quem ele recorre para melhor entender os traços psicóticos do criminoso. Ela questiona, enfim: qual o destino que Bermudez quer dar ao final deste excelente filme? Trata-se de sustentar aquilo que ele crê que seja a verdade, ou de criar condições para que se faça a justiça? Muitas vezes - nem sempre - duas perguntas tem a mesma resposta.


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O CONCURSO


por Tiago Paes de Lira
 
Vejam a analogia surpreendente que nos é colocada no começo desse petardo: um número sobre a quantidade de pessoas que prestam concursos e em média quantos cada pessoa passa para conseguir entrar em um desses concorridos cargos. O diretor parece ter se espelhado na sua própria carreira, com um dezena de novelas dirigidas, emulando o seu preparo para o cinema, a tão desejada tela grande. É a vida de Pedro Vasconcelos, figuradamente, em película. E ele conseguiu? Não! Junto do roteirista LG Tubaldini Jr, esta produção é irritante em praticamente todos os sentidos, e figura facilmente na lista de piores produções do ano.

Num começo que emula “Se Beber, Não Case” (The Hangover, 2009), o filme centra em quatro personagens que concorrem ao disputado cargo de juiz federal, num
concurso que ocorrerá no Rio de Janeiro. O diretor usa estereótipos ambulantes para seus personagens: Caio (Danton Mello) é o carioca malandro; Rogério Carlos (Fábio Porchat) é o gaúcho com a masculinidade questionável; Bernardo (Rodrigo Pandolfo) o interiorano nerd de cabelo lambido que ainda mora com a mãe, e Freitas (Anderson Di Rizzi) que apela para a religião como sua sorte. Quando Caio sugere aos colegas que eles devem comprar o gabarito da prova das mãos de mafioso do morro carioca, as coisas fogem do controle, e essa turma só vai arranjar confusão – frase no melhor estilo narrador Sessão da Tarde.

 
Prefiro começar com o único aspecto que esse filme tem alguma qualidade: a fotografia. Entendam, não é nada de diferente ou impressionante. É bem comum, mas está anos à frente do estilo hiper-iluminado das novelas, que não existem nuances, e onde as pessoas vão dormir de luz acessa. Então, Vasconcelos e o diretor de fotografia usam mudanças na cena onde cada um imagina como seria voltar como um derrotado para suas cidades de origem, depois na festa que acontece no morro, e só. Depois, é tudo ladeira abaixo.

Em suma, esse filme é o mundo cão dentro da tela grande. Os produtores esperam que o espectador ria de coisas que parecem ter sido tiradas de programas de auditório do pior tipo. Então, vemos uma luta entre dois pequenos – anões, se preferirem – draq queens se espancando, piadas bairristas – “gaúcho que fracassa é catarinense” -, piadas repetidas – Caio usa a mesma em menos de quinze minutos: “Isso não é crime. No máximo, uma contravençãozinha” – e a triste presença da atiradora de facas Martinha Pinéu (Sabrina Sato) que apela para palavras de baixo calão para arrancar alguma risada que seja.

 
 
Mas quando a ex-BBB fala para Bernardo “se você não me comer, eu te mato” o sentimento é repulsa, talvez vergonha. A graça passou longe daqui. É uma tentativa pífia de criar uma personagem feminina forte, desbocada e dominadora sexual, mas que ao mesmo tempo é submissa e se sujeita a qualquer coisa pelo suposto amor da vida dela. Resumindo, apesar do diretor ter comparado o talento da apresentadora com o de Fernanda Montenegro, você sente vê claramente que Sabrina Sato não é atriz. E ela mesmo admite isso em outra entrevista.

Uma piadinha ou outra dá certo, como o sonho da mãe de Bernardo dele ser alguém importante como “funcionário público dos Correios ou do Banco do Brasil”, e a questão dos cupons de compras coletivas de internet serem uma dor de cabeça, mas a maioria não se salva. Nem mesmo as que aparecem no trailer, o que é bem raro. E, se você gostar do assunto, Sabrina Sato aparece de calcinha e sutiã na tela grande. A cena é antecedida por outra bem ridícula, envolvendo chimarrão e a propaganda descarada de uma empresa de lâminas de barbear. Considerem como uma recompensa pelo tanto que o diretor já te fez passar.
O Concurso representa o que há de pior no cinema nacional: é uma comédia fraca, cheia de momentos preconceituosos e que espera chamar mais público com uma carinha famosa na divulgação. Infelizmente, a comédia brasileira no cinema continua sendo usada como antítese do seu próprio gênero. Os produtores tem que aprender mais com os dramas para que o estigma do nosso próprio com o cinema nacional – as máximas “é bom, apesar de brasileiro” ou “é ruim, tinha que ser brasileiro" – desapareça. Não falta gente disposta, mas sim empenho e uma determinação de não aceitar qualquer coisa que se apresente como roteiro. Infelizmente, se quisermos da risada com o cinema nacional vamos ter que esperar mais um pouco. Aqui, se acha pouco, se é que existe algum.
 
 


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TRUQUE DE MESTRE (Now You See Me)


por Beto Besant


Quatro jovens mágicos são recrutados para montarem um espetáculo digno da Broadway. São eles: a bela Henley Reeves (Isla Fisher), especialista em fuga, Merritt McKinney (Woody Harrelson), um mentalista capaz de descobrir tudo que quiser de quem estiver à sua frente, Jack Wilder (Dave Franco), especialista em "bater carteira", J. Daniel Atlas (Jesse Eisenberg), especialista em truques de cartas e líder do grupo. O espetáculo chamado Os Quatro Cavaleiros faz enorme sucesso em Las Vegas, apresentando truques inéditos, como teletransportar um homem para o cofre de um banco francês e promover uma chuva de dinheiro na plateia.

Por conta deste número, a polícia francesa envia a investigadora francesa Alma (Mélanie Laurent) aos EUA investigar o caso junto com o policial do FBI Dylan Rhodes (Mark Ruffalo). Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), é quem faz sucesso na TV desmascarando ilusionistas, que neste caso não consegue entender o que se esconde por trás dos Quatro Cavaleiros.


A direção é de Louis Leterrier (Fúria de Titãs, O Incrível Hulk, Carga Explosiva), que apesar de ter um orçamento modesto para suas pretensões tenta fazer um espetáculo de imagens extremamente impactante. Isso ajuda a disfarçar os furos no roteiro de Boaz Yakin, Ed Solomon e Edward Ricourt, que apresenta uma reviravolta a cada dez minutos, o que também ajuda a desviar a atenção dos problemas de roteiro e falta de realismo.


No meio do filme, como se pode esperar de todo filme com pretensões a blockbuster, acontecem as famosas perseguições de carro, um elemento típico deste tipo de filme.

A fotografia do filme é impecável e o elenco estelar convincente.

As imagens são bonitas e os efeitos especiais dos truques tão bem feitos, que realmente vale à pena ver o filme, claro que, como diz um amigo "deixando o cérebro em casa".
Pelo sucesso que o filme vem fazendo, percebe-se que o público não se importa mesmo com isso.


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HANNAH ARENDT


por Rogério de Moraes

Hannah Arendt já era uma pensadora de prestígio em 1962 quando se ofereceu à revista The New Yorker para cobrir, em Jerusalém, o julgamento do oficial nazista Adolf Eichmann.

Foi a partir do julgamento de Eichmann, conhecido como o principal responsável por arquitetar a logística da chamada “solução final” – encarregada de exterminar judeus durante os anos de Hitler no poder –, que Arendt passou a formular seu pensamento para aquilo que ela viria a denominar de a “banalidade do mal”.
Hannah era uma judia que fugira para os EUA durante os anos de perseguição na Alemanha, chegando ser presa em um campo de prisioneiros na França ocupada. Na América, tornou-se uma respeitável pensadora e professora universitária, tendo publicado obras importantes como As origens do totalitarismo (1951), A condição humana (1958) e Sobre a Revolução (1963).

É a partir da decisão da pensadora, interpretada pela atriz Barbara Sukowa, em presenciar e relatar o julgamento do “monstro” Eichmann, que o filme Hannah Arendt inicia seu caminho em retratar a coragem da escritora e o inferno que se tornou sua vida ao levar essa coragem às últimas consequências: a publicação do artigo na revista e, depois, a publicação do livro intitulado Eichmann em Jerusalém.
Essa coragem está nas consequências que Hannah sofreu ao ter a ousadia de não demonizar Eichmann como o monstro que todos queriam ver descrito em suas palavras, especialmente a comunidade judaica. Para ela, o tal monstro não era mais que um burocrata medíocre que cumpria suas ordens sem refletir moralmente sobre suas consequências.

Para ainda maior descalabro da comunidade, Hannah não apenas afirmava que não via Eichmann como um antissemita, como teve ainda a ousadia de tocar em assuntos-tabus, como a colaboração de alguns judeus no extermínio de seu próprio povo.

Ainda que ver o filme e conhecer este aspecto da história do século 20 seja algo quase obrigatório, não se pode deixar de notar que, como narrativa de cinema, Hannah Arendt resulta numa obra burocrática, de amarração frágil e condução irregular.

Seus problemas como narrativa vão da obviedade exageradamente sublinhada à construção sem resultado de uma memória em flashback. Muitas vezes, a direção adota uma construção e encadeamento de quadros que lembram um telefilme – lembrando que a diretora, Margarethe von Trotta, tem boa parte de sua carreira na televisão. Nas vezes em que se busca um efeito cinematográfico o resultado é artificial; ora deslocado, ora dramaticamente ineficiente.
Logo na abertura do filme, pode-se perceber uma abordagem óbvia ao mostrar a protagonista, uma pensadora, pensando. Mesmo recurso televisivo que ao final fecha a narrativa, semelhante ao desfecho de qualquer episódio de telessérie. Além disso, dos enquadramentos à montagem, o filme muitas vezes insiste em sublinhar o que deveria ser sutil.

Exemplo disso é o momento em que Arendt, observando Eichmann durante o julgamento, tem o “click” para a compreensão daquilo que seria o pilar de seu artigo. O que poderia ser algo sutil torna-se um exagero de construção óbvia, com a câmera se aproximando da personagem, a música acentuando o momento e a atriz, aparentemente, sendo instruída a mudar sua expressão. Tudo isso para remeter o público a uma forçosa denotação de descoberta, de revelação.

Do artificial, fica o modo como se constrói em flashback a relação amorosa entre uma Hannah juvenil, ainda na Alemanha, e seu professor Martin Heidegger (Klaus Pohl), 17 anos mais velho. A seriedade do quão escandaloso seria para a época esta relação com um homem casado e professor universitário passa ao largo dessa lembrança, assim como não se preenche nesses flashbacks qualquer sentimento ou laço mais forte. Tudo fica no campo da burocrática amostragem a conta-gotas.

A presença dessa memória no filme pretende reforçar o efeito de uma cena perto do final, como se os flashbacks fossem a construção de um sustentáculo para amparar no fim todo um sentimento de perda emocional e sentimental a partir de um rompimento intelectual e político.

Contudo, apenas uma pequena parte desse sentimento é alcançado, muito mais pela atuação de Barbara Sukowa do que pela pretensa construção emocional da narrativa.

Ficam ainda arestas abandonadas sem maiores consequências, como é o caso da secretária de Hannah, Lotte Köhler (Julia Jentsch). O filme insiste em atribuir a ela uma devoção oblíqua, com momentos que vão da adoração à tensão homoerótica. Mas deixa pelo caminho qualquer desdobramento dessa personagem.

Enquanto filme, Hannah Arendt é uma experiência pobre, ainda que tenha o mérito de nunca descer ao ponto de se tornar cansativo. Mas esse mérito talvez esteja mais na história que o embasa do que nos seus atributos fílmicos. Mesmo assim, merece ser visto como registro de um pensamento, o pensamento de Hannah Arendt, que provoca o senso comum e instiga debates até os dias de hoje.


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GUERRA MUNDIAL Z (World War Z)


por Beto Besant

Uma misteriosa doença contamina rapidamente a população mundial. Na tentativa de conter a epidemia, o governo do Estados Unidos forma uma equipe para viajar o mundo na direção dos infectados afim de descobrir a solução. Gerry Lane (Brad Pitt) é um ex-investigador da ONU (Organização das Nações Unidas) que é convocado para formar a equipe. Apesar de sua intenção de dedicar-se mais tempo à sua mulher Karen (Mireille Enos) e suas filhas, mas decide enfrentar o problema por saber que se não for solucionado, todo o planeta estará condenado.


Aproveitando a "onda" de filmes de zumbi, Guerra Mundial Z desvia da temática sobrenatural justificando o problema como uma doença que atinge a população. Isso serviu para uma redução drástica da quantidade de sangue, o que permite com que um público de idade mais reduzida possa entrar nas salas de cinema.
Além do tema zumbi suavizado, o filme aborda o gênero cinema-catástrofe. Nada mais comercial.

Como era de se esperar de um autêntico blockbuster, o filme é uma correria sem fim. Estrelado pelo ídolo Pitt, segue a receita dos filmes comerciais. Não é preciso mais de cinco minutos para sabermos o que acontecerá durante toda a trama. Nem mesmo o patriotismo típico dos filmes americanos foi deixado de lado.

Filmes com grandes pretensões comerciais costumam ter atuações são "pasteurizadas", o elenco não passa de "peças de xadrez". Porém, para piorar, Pitt está com um cabelo "à la galã das adolescentes" que nada combina com o personagem. Nada como ser um ator influente e produtor para poder se dar a esses luxos...

Baseado no livro Guerra Mundial Z – Uma História Oral da Guerra dos Zumbis, de Max Brooks (filho e Mel Brooks), o filme começou a ser rodado antes mesmo de ter seu roteiro finalizado. Após divergências de opinião entre o astro Brad Pitt, o diretor Marc Forster, as filmagens foram paralisadas até que o roteiro fosse finalizado. Somando os problemas foram gastos quase 200 milhões de dólares. Este foi outro motivo que fez com que o filme seguisse à risca a "receita do cinema comercial".



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JUAN DOS MORTOS (Juan de los Muertos)


por Beto Besant


Os amigos Juan (Alexis Díaz de Villegas) e Lazaro (Jorge Molina) vivem de pequenos "bicos" na ilha de Cuba. Certo dia, durante uma pescaria, pescam um zumbi e logo percebem que a ilha está tomada por centenas deles. Com o senso de oportunismo de quem é "cria da rua", veem a oportunidade de lucrarem executando as criaturas, parentes dos moradores. Para isso formam um grupo totalmente heterogêneo de "caçadores": um musculoso, um homossexual, um galã e a bela Camila (Andrea Duro), filha de Juan que abandonou a Espanha devido à atual crise financeira.



Segundo longa-metragem do diretor Alejandro Brugués, um argentino criado na ilha de Fidel, Juan dos Mortos é uma deliciosa sátira aos filmes de zumbi que também brinca com filmes de artes marciais.
Os zumbis são uma representação dos "velhos socialistas" em contraposição ao capitalismo que cada vez mais invade a ilha.

Apesar do baixo orçamento, com o capital vindo da Espanha, o filme é uma excelente opção de diversão que está muito longe de ser apenas um "besteirol". É possível notar que os efeitos especiais são limitados, mas isso em nada tira o sabor de assisti-lo.
O elenco está coeso e tem muita "química", com destaque para os protagonistas Villegas e Molina, excelentes atores. Com destaque para a cena onde o segundo pede um pequeno "favor" ao amigo.

O roteiro não tenta aprofundar obre a origem do problema, o que em nada diminui na sua qualidade. A direção é competente e extrai momentos hilários dos atores. A montagem é "enxuta" e tem bom tempo de comédia.

Primeiro filme de zumbis de Cuba, Juan dos Mortos ganhou o prêmio de Melhor Filme Iberoamericano no Goya, em 2013, principal festival de cinema espanhol.


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SEGREDOS DE SANGUE (Stoker)


por Beto Besant

India Stoker (Mia Wasikowska) é uma jovem que tem seu pai (Dermot Mulroney), assassinado misteriosamente no dia de seu aniversário de  18 anos.
Após o velório recebe a visita de Charlie (Matthew Goode), seu tio paterno cuja existência era desconhecida. Charlie decide morar na casa com ela e sua mãe Evelyn (Nicole Kidman). Logo começa um romance com a mãe, ao mesmo tempo que troca olhares com a filha e mortes estranhas acontecem.


Roteiro de estreia do inglês Wentworth Miller (conhecido no Brasil como o galã da série Prison Break), não é nenhuma obra-prima mas tem o mérito de segurar o público sem abusar de clichês. A opção pela direção do sul-coreano Chan-wook Park (famoso pelos filmes Oldboy e Sede de Sangue) foi uma boa escolha, pois o diretor conduz o filme com personalidade e originalidade.

A direção de fotografia é de Chung-hoon Chung, antigo parceiro do diretor e um dos responsáveis pelas belas imagens e enquadramentos do filme.


O trio principal do elenco também é um dos trunfos do filme, pois são responsáveis pela tensão psicológica que permeia todo o suspense. Há ainda a bela participação especial da atriz autraliana Jackie Weaver.

Apesar de não ser uma obra-prima, é um belo trabalho, que além de sair do suspense convencional americano, mostra que é possível um diretor estrangeiro estreiar em Hollywood sem perder suas características.



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O GRANDE GATSBY (The Great Gatsby)


por Beto Besant


No início da década de 20, o jovem escritor Nick Carraway (Tobey Maguire) conta ao seu psicólogo como conheceu o lendário Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). Ao mudar-se para Nova Iorque, Carraway fica sabendo de seu vizinho, famoso por oferecer festas descomunais sem quase ninguém conhecê-lo. Sua prima Daisy Buchanan (Carey Mulligan) vive com seu marido, o milionário Tom Buchanan (Joey Edgerton).


Escrito e dirigido por Baz Luhrmann (Moulin Rouge, Romeu + Julieta), a nova versão cinematográfica do romance de F. Scott Fitzgberald de 1925 é decepcionante. 
Nem a sofisticação visual e o 3D conseguem dar algum sabor e esta versão.
Chega um certo momento que o filme se torna tão longo e cansativo que tem-se a impressão de que já passaram mais de duas horas e meia.

Apesar do bom elenco, DiCaprio tem exatamente o tipo físico para o personagem, o filme "não funciona". Tudo é superficial. Os atores estão apáticos. Como dizia minha mãe: "por fora bela viola, por dentro pão bolorento". Este bem que poderia ser o slogan do filme.

Eu, que só assisti a versão de 1974, com Robert Redford e Mia Farrow encabeçando o elenco, passei a sentir saudades dela e sentir "como era boa e eu não sabia".

A trilha sonora procura inovar, colocando música contemporânea em plena década de 20. Inclusive colocando um RAP, provavelmente pelo fato do cantor de RAP Jay-Z ser o produtor executivo. Uma "inovação" pretensamente original e artística.

De nada adiante investir milhões de dólares para uma produção luxuosa se o filme não tem ALMA.


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