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A ÚLTIMA CASA DA RUA (House at the End of the Street)


                                                                                                                         
por Márcio Escudeiro

Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes) estrela mais um filme esse ano, o Suspense/Horror A Última Casa da Rua – que traz na direção o novato Mark Tonderai.
Sarah e Elissa (Elisabeth Shue/ Jennifer Lawrence) são mãe e filha que acabaram de se mudar para uma cidade pacata.  Tudo parece calmo e tranquilo – tão somente quando Elissa descobre que, na casa que fica do outro lado da rua, aconteceu um duplo assassinato. Mas as coisas se complicam mesmo quando ela faz amizade com um garoto, o único sobrevivente da tragédia.

Mark Tonderai é um diretor novato no mundo do cinema, onde seus trabalhos anteriores se voltaram para "Home Video" e um documentário, sendo este o seu primeiro trabalho para a tela grande. O roteiro é de  David Loucka (A Casa dos Sonhos) e o argumento Jonathan Mostow (diretor de O Exterminador do Futuro 3).

Mesmo tendo alguns defeitos e um roteiro vicioso onde certas coisas acontecem por coincidência, A Última Casa da Rua acaba surpreendendo em alguns momentos decisivos, criando um clima tenso, com direito a vários sustos no transcorrer do filme – e isto é graças ao talentoso diretor de fotografia Miroslaw Baszak (Terra dos Mortos), que conseguiu criar na sua ótica e na levada da câmera uma tensão acima da média em filmes de terror, a começar pela obscura floresta que ele retrata tão bem em sua lente, e na condução da câmera, criando os momentos mais interessantes do filme.



Mas claro, A Última Casa da Rua consegue chamar a atenção com o interessante elenco reunido, Jennifer Lawrence conseguiu transmitir em uma boa interpretação, a curiosidade, e mesmo com alguns vícios nesse tipo de personagens – de como são burros quando o perigo os rondam, mas sempre com carisma. Talvez um dos únicos excessos de sua caracterização seja o exagero em sua maquiagem – talvez por ela tentar viver uma adolescente de 17 anos. Elisabeth Shue vive a mãe, que traz com uma certa leveza e um pouco de ironia, uma viciada em seu trabalho, mas que mesmo assim se preocupa com a filha, e as duas se completam, trazendo em um dos destaques uma certa inversão de papeis em momentos do filme.

No mais, o filme chama a atenção, apesar de não ser um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, mas sim um dos melhores do ano, tão simplesmente pelas coisas simples que compõe essa história, que prenderá os espectadores.

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MARCELO YUKA NO CAMINHO DAS SETAS


por Beto Besant

Baterista e ex-líder da banda O Rappa, o filme aborda os altos e baixos na vida e carreira de Marcelo Yuka.
Já de início, vemos o músico baleado, sendo posto em uma ambulância enquanto seu pai se irrita com as insistentes perguntas não muito inteligentes da imprensa mais sensacionalista.

A partir daí somos apresentados ao protagonista do documentário. Do sucesso atingido pela banda, passando pela tragédia ocorrida em sua vida, até sua expulsão e retomada de sua carreira. 


O excelente documentário foi dirigido por Daniela Broitman, jornalista e amiga de Yuka, motivo pelo qual conseguiu livre acesso à vida do músico e teve o mérito de deixá-lo à vontade para expor sua vida e sua luta diária.

Com muita transparência, Yuka revela todos os problemas que vem enfrentando desde o fatídico dia em que deparou-se com uma falsa blitz e na tentativa de voltar de marcha à ré viu seu espelho retrovisor explodir, e em seguida seu braço esquerdo. 

Passada a fase onde os médicos cogitaram amputar seu braço, sua rotina é de muita dor e tentativas primárias de uma fisioterapia feita de forma intuitiva por seus amigos.

Yuka conta que após um ano do ocorrido foi surpreendido com uma reunião onde sua banda já tinha decidido expulsá-lo. Algo que considera desumano, pois não tinha condições físicas de ir aos ensaios e seus colegas não queriam ensaiar em sua casa. Em seguida vemos que o verdadeiro motivo foi financeiro, pois como letrista de todas as músicas da banda, o baterista recebia 50% dos lucros, e como cocriador das músicas levava mais 10%. Restando 10% para cada integrante.

Neste ponto é muito digna a forma com que a direção e a montagem apresentam os fatos de forma imparcial, deixando a conclusão para o público.

Após a expulsão, acompanhamos a banda F.U.R.T.O, criada pelo baterista e seu trabalho solo, onde fez uma apresentação no Rock in Rio com a cantora Cibele.

O melhor do filme é ver a rotina de dor e sofrimento do músico, que se nega qualquer tipo de autopiedade mas conta de forma franca que já cogitou o suicídio. Há momentos engraçados, onde seus pais separados discutem e ele conta vive numa guerra entre Estados Unidos e União Soviética. Também há momentos emocionantes, onde seu irmão mais jovem (fruto de um segundo casamento de seu pai) deita-se sobre seu corpo tentando demonstrar todo o carinho possível. É tocante o momento onde Yuka oferece sua prancha de surf ao irmão mas este recusa, dizendo já ter a sua. E diante da insistência diz: "Você desistiu de viver?"

Por mais que pareça contraditório, o fato de ter ficado paraplégico fez com que o músico desenvolvesse um trabalho social nas cadeias do Rio de Janeiro, pois diz que não foi vítima de um marginal, mas sim de um sistema que faz com que a população pobre tenha que viver uma vida marginal. Os próprios presidiários demonstram surpresa com a atitude de Yuka, que sempre foi engajado nas causas sociais.


Fica claro que o sofrimento diário faz com que o baterista se sujeite a qualquer tipo de tratamento, independente dos riscos envolvidos, para se livrar das dores, uma vez que, por questões minimas perdeu as chances de um tratamento que poderia fazê-lo voltar a andar.

É um filme maduro, delicado e isento de julgamentos. Apenas se propõe a mostrar, de forma respeitosa, a dura vida do agora cadeirante.


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CURVAS DA VIDA (Trouble with the Curve)



por Beto Besant


Gus Lobel (Clint Eastwood) é um experiente olheiro de um time de beisebol. Além de enfrentar sérios problemas de visão, é considerado ultrapassado pelos novos olheiros, que utilizam da tecnologia para comparar as estatísticas dos jogadores e assim identificar talentos.

Sua filha Mickey (Amy Adams) tira uns dias de férias de seu trabalho como advogada em Nova Iorque e vai visitar seu pai, com quem não tem um bom relacionamento. Por "coincidência", Johnny (Justin Timberlake) que é um ex-jogador, fã de Gus e olheiro de um time rival, vai até a cidade.


Qualquer coisa que se possa acrescentar à sinopse será redundante, pois o filme nada mais é do que uma sequência de clichês. A sensação que temos é que os produtores pensaram: "vamos fazer um romance, porque esse gênero tem público feminino cativo". Aí alguém disse: "mas precisamos de algo que chame a atenção dos homens, vamos colocar o beisebol como pano de fundo".
E para completar a história? Uma chuva de clichês.


Tudo que acontece no filme é certinho demais e previsível demais. Em trinta minutos já temos vontade de deixar a sala de cinema por sabermos o que vai acontecer. E é exatamente isso que acontece.

Eastwood está atuando melhor do que quando era jovem, Timberlake cumpre seu papel e tem sintonia com Adams, que está lindíssima, mas nada sai do óbvio, tudo é mastigado para o público. Temos a sensação de estar assistindo a um filme da Sessão da Tarde pela décima quinta vez.

É uma pena ver um artista do calibre de Eastwood num filme desses, a única justificativa é por ter na direção o estreante Robert Lorenz, seu assistente de direção em diversos filmes.


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DISPAROS



por Beto Besant

Henrique (Gustavo Machado) é um fotógrafo arrogante, que se sente um grande profissional, apesar de realizar trabalhos de gosto duvidoso.
Certo dia, após uma sessão de fotos em uma boate gay, é assaltado e tem seu cartão de memórias da câmera levado. 
Os ladrões são atropelados por um carro que foge do local. Ao chegar na delegacia, o fotógrafo depara-se com o inspetor Freire (Caco Ciocler). Com um misto de ironia, sarcasmo e jocosidade, o policial decide passar seu plantão divertindo-se com a vítima e dando-lhe uma lição.
Paralelamente, vamos conhecendo outras histórias, como seu colega homossexual que cai no golpe "boa noite Cinderela" ou seu outro colega que transa com sua mulher. 



A dupla Gustavo Machado e Caco Ciocler são os responsáveis pelos melhores momentos do filme, que apesar de não ser nada brilhante, tem boas "sacadas" e suas interpretações dão força aos diálogos. Não foi à toa que Ciocler foi premiado como Melhor Ator Coadjuvante no Festival do Rio.

A montagem também é bem interessante, pois alterna a cronologia dos fatos dando maior interesse à história. Apesar do filme também ter ganho o prêmio de Melhor Montagem no Festival do Rio, tem uma tremenda falha ao apresentar após os créditos uma cena totalmente dispensável, que estraga toda a boa impressão causada. Ao meu ver, perdendo o merecimento ao prêmio.

Juliana Reis, roteirista e diretora, conduz bem a trama e os excelentes atores, porém demonstra que deveria ter desenvolvido melhor o roteiro (sua especialidade) que não tem força para segurar os 82 minutos de filme. A trama falha ao não desenvolver as histórias paralelas, dando a impressão de estarem deslocadas da trama principal, mesmo sendo com personagens ligados ao protagonista.

Não é nem de longe um dos grandes filmes brasileiros, mas vale à pena ser visto pelas atuações de Ciocler e Machado, além da boa montagem (com exceção ao à cena final.
   


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HOLY MOTORS


por Rogério de Moraes

Se você não viu Holy Motors, não tem a menor ideia do que se trata esse filme. E se você já viu, provavelmente continua sem ter a menor ideia do que se trata.

Treze anos depois de seu último longa, Pola X, o diretor francês Leos Carax apresenta um trabalho inclassificável. Uma impossibilidade de rótulo, e de gênero, que pode tanto servir ao elogio máximo como à crítica mais demolidora.

Pode-se amar Holy Motors ou abandoná-lo antes da metade. Isso porque o filme apresenta uma caótica e aparentemente desconexa proposta, difícil de digerir assim, no susto. Para seguir adiante, após o choque de insólito inicial, é precioso se permitir o prazer de não entender, de sair do cinema montado na incerteza. Sem isso, nada feito.

Também é necessário se permitir viajar a cada nova história não contada. Anti-histórias, sim, mas exibidas com um vigor, sensibilidade e prazer estético como raramente se vê.
Não há uma trama em Holy Motors, há apenas o dia de um homem que não se sabe quem é, que transita por Paris a bordo de uma limusine e que ao longo do filme se transformará e viverá com a devida e necessária intensidade diversos personagens.

De um louco que sai do esgoto para seduzir Eva Mendes com uma lambida no sovaco - logo após arrancar a mordidas dois dedos de uma assistente de produção, de um encontro melancólico de memoração do passado, de um pai entristecido pela mentira da filha, até o magistral interlúdio ao som de acordeões, sem deixar de passar pela morte e ressurgimento. Assim nos atravessa Holy Motors.

Violência, miséria, rancor, absurdo, tecnologia, frustração. Há de tudo um pouco na jornada de um dia desse personagem que são muitos personagens. São faces e faces de Oscar, interpretado por Denis Lavant. O sentido dessa jornada, ora efusiva e estonteante, ora melancólica e filosófica, pode se perder nas entretramas que se sucedem, nos encontros e desencontros programados sabe-se lá por quem e para quê.



Num mundo tão ávido por sentido, símbolos e significados. Em um tempo em que o cinema comercial é tão mastigado que dispensa até que se olhe para a tela, um filme cujo sentido não está tão facilmente ao alcance da mão vem a calhar.

Nada disso seria válido ou mesmo digno de nota não fosse a acurada câmera de Carax. O diretor constrói sobre o nada climas de um onírico realista, uma espécie de sonho sem metafísica. Impõe ao filme ritmo, cores e atmosferas que destacam uma assinatura vigorosa, marcante, única.

Não gostar de Holy Motors é parte do jogo, é a essência do cinema, que nunca foi feito – e bom que seja assim – de unanimidades. Pode-se até desprezá-lo ou abandoná-lo ao meio, mas não é possível vê-lo sob a égide do impassível.

Não se abandona este filme por tédio, mas talvez por desesperança. A desesperança de ver algum sentido. Mas o sentido pode ser buscado após, ou na releitura ou inventado.

O que Carax nos proporciona é a oportunidade de escavar esse sentido. Nos apresenta um leque de caminhos que se bifurcam, menos borgiano e mais Lewis Carrol, porém não menos intenso que ambos. Nem menor.

Entender ou não é o de menos. Holy Motorstem em si algo de essência cinematográfica, uma essência que tem escorrido por ralos de mediocridade, afetação e superficialidade. A essência da jornada, da experiência, da provocação, do estímulo ao pensamento e, principalmente, do estímulo aos sentidos. Pode até não significar nada, mas é um nada mais pleno do que muito estofo vazio que se vê por aí.



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AS PALAVRAS (The Words)



por Beto Besant

O renomado escritor Clay Hammond (Dennis Quaid) faz uma leitura pública para promover seu livro mais recente.
O livro conta a história do jovem Rory Jansen (Bradley Cooper), que tenta lançar seu primeiro livro, mas, apesar de ter talento, nenhuma editora se interessa.


Sua sorte começa a mudar quando encontra o original de um excelente livro de autor desconhecido.

Digita-o em seu computador e sua mulher Dora (Zoe Saldana) lê pensando ser de sua autoria, incentivando-o a apresentar às editoras. Já desesperado por depender de seu pai (J. K. Simmons), decide por levar o livro a uma editora, que aceita publicá-lo, tornando-o um escritor de enorme sucesso.
Tudo vai muito bem até que o verdadeiro autor (Jeremy Irons) o procura e conta como tudo ocorreu. A partir daí acompanhamos a terceira história.

Durante todo o filme, fica em aberto a possibilidade dessa ser a história do personagem Hammond, ao invés de uma mera ficção. 


Bem escrito e dirigido por Brian Klugman e Lee Sternthal, o filme "peca" ao escolher Dennis Quaid para interpretar o personagem que conduz toda a trama. Como suas cenas são mais curtas, o personagem precisaria de um ator com maior força interpretativa. A belíssima atriz Olivia Wild consegue marcar presença graças à sua beleza e seu poder de sedução.

A boa trilha sonora é assinada pelo brasileiro radicado nos Estados Unidos  Marcelo Zarvos e traz momentos muito delicados e emocionantes.




Nas três histórias há em comum o fato das mulheres desencadearem fortes consequências.

As Palavras é um filme que vai além da discussão de plágio, mas sim a discussão da ética e as consequências das escolhas de cada um. Seu tema não é dos mais originais, mas é tratado de forma muito interessante.

Suas histórias intercaladas forçam o público a não perder nem um minuto da atenção, e não agrada a todos os gostos. Apesar de ter um final aquém das expectativas, é um belo filme e merece ser visto.


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E AGORA, ONDE VAMOS? (Et Maintenant, On Va Où?)

 
por Beto Besant
 
Um vilarejo com sua pequena população dividida entre católicos e muçulmanos, vive há décadas em harmonia. Porém a notícia de guerra entre as religiões vindas pela TV começam a incitar a violência entre os moradores.
 
Todo circundado por minas terrestres, o povoado tem numa ponte sua única ligação com o mundo. Após um acontecimento que poderá levar ao início de uma guerra civil, as mulheres decidem fazer de tudo para evitarem o confronto, como boicotar informações vindas de fora e simular milagres. Depois decidem contratar um grupo de dançarinas ocidentais para desviarem a atenção dos homens do vilarejo. Por fim, utilizam de um subterfúgio "menos ortodoxo" para conseguirem seu objetivo, algo que em nada combina com mulheres religiosas da terceira idade.
 
 
Segundo longa-metragem da atriz, roteirista e diretora franco-libanesa Nadine Labaki, que estreou em 2007 com o elogiado Caramelo, é o indicado ao Oscar 2012 pelo Líbano e traz uma história séria porém com vários momentos divertidos, um grande mérito não muito frequente.  
 
O bom roteiro foi surgiu a partir da guerra civil que abalou o Líbano por 15 anos. A diretora tem o  cuidado de não citar ou localizar onde a história se passa, pois acredita que poderia acontecer em qualquer lugar que tenha católicos e muçulmanos. O problema é que supõe que os homens sejam totalmente manipuláveis por suas mulheres, tornando-o um pouco fantasioso e dando um tom de fábula.
 
A direção é competente, pois trabalha com atores não profissionais e sabe inserir momentos de musical sem incomodar aos menos chegados ao gênero. A boa trilha sonora é composta por Khaled Mouzamar, marido da bela diretora, que interpreta Amale.
 
É uma boa experiência de se assistir, mas não um filme indispensável para os amantes do cinema. 
 
 

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ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA


por Beto Besant

Verônica (Hermila Guedes) é uma médica recém formada que trabalha num hospital público de Recife. Solteira, mora com o pai idoso e se questiona se quer mesmo viver da profissão. Sentimentalmente, não consegue se apaixonar por ninguém, se questionando se não encontrou a pessoa certa ou se tem "coração de pedra", como diz a personagem.

 
Terceiro filme do pernambucano Marcelo Gomes (dos ótimos Cinema, aspirinas e urubús e Viajo porque preciso, volto porque te amo), teve seu roteiro baseado em depoimentos de dezenas de jovens recifenses e não segue o padrão do cinema clássico a que o público está acostumado, onde a história divide-se em três atos. Ao contrário desses filmes (onde algo acontece para desestabilizar os personagens, até que o problema é solucionado), em Era uma vez eu, Verônica pequenos fatos vão acontecendo e causando pequenas transformações na personagem.
 
Como já era de se esperar, o filme traz uma ótima direção e roteiro. É ousado nas cenas de nu, sexo e beijos mais quentes, cenas pertinentes para contar a história da personagem que foge do padrão das "mocinhas à procura de romance", pois como ela não se apaixona, procura dos homens apenas satisfazer-se sexualmente.
 
Em determinado momento, um personagem tem uma doença mortal, e é muito interessante ver que o roteiro não mostra qual a doença e a direção não cai no clichê de utilizar de uma trilha melodramática para acentuar a cena, contenta-se em colocar apenas os ruídos da cidade. Aliás, a trilha sonora de Tomaz Alves Souza e Karina Buhr (que faz uma participação especial) mantém a boa qualidade do filme, pois fica ressoando em nossa cabeça após os créditos finais.
 

O único problema é que, ao ter usado um hospital em pleno funcionamento durante as filmagens, os figurantes destoam do elenco, tem sempre um deles olhando para a câmera.
 
Por outro lado, o elenco principal está impecável. Hermila Guedes, por mais que já saibamos de seu talento, neste filme está excepcional. Encara as cenas polêmicas com o despudor e desprendimento que a personagem teria.
 
É o tipo de atuação que faz com que não consigamos pensar em outra atriz para o papel. Além dela, dois atores coadjuvantes estão ótimos, são eles W. J. Solha (melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília) e João Miguel, que interpretam o pai e o namorado de Verônica, respectivamente.
 
Não é à toa que o filme ganhou sete prêmios no Festival de Brasília e foi elogiado por crítica e público.
 
Em resumo, é um grande filme, porém o talento de Hermila é ainda maior.  
 
 

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POSSESSÃO (The Possession)


por Beto Besant

Clyde (Jeffrey Dean Morgan) é separado de Stephanie Brenek (Kyra Sedgwick) e tem duas filhas, uma adolescente e outra pré-adolescente.
 
Emily (Natasha Calis), a mais nova, pede de presente uma antiga caixa de madeira vendida numa liquidação de garagem. A menina descobre que o objeto guarda coisas estranhas, como cabelos, dente e pequenos objetos antigos. Com o passar dos dias, começa a ver e ouvir fenômenos sobrenaturais, passando a agir de forma estranha. A única pessoa a perceber isso é seu pai, que é desacreditado pela mãe da menina.

Clyde procura ajuda com a comunidade judaica, por se tratar de uma lenda que diz que uma caixa de vinhos que pertenceu a uma sobrevivente do
holocasto aprisiona um demônio chamado Abyzou e trás consequências terríveis aos seus proprietários. Quem se prontifica a ajudá-lo é Matisyahu (o cantor de reggae judeu Matisyahu) um judeu nada ortodoxo que usa dreadlocks.
 
 
 
O filme usa como marketing ter se baseado numa história real e produzido por Sam Raimi (diretor de A Morte do Demônio). O fraco roteiro escrito por Juliet Snowden e Stiles White não traz nenhuma surpresa. Poderia ao menos ter desenvolvido os motivos que levaram o casal a se separar (coisa que até tentar fazer, mas de forma superficial).
 
A direção do dinamarquês Ole Bornedal, também faz o óbvio, repetindo tudo que foi feito até hoje nesse estilo de filme e realizando o que já esperamos de um filme desse tipo. Traz boa fotografia e efeitos especias, que apesar disso, chegam a cair no ridículo tamanho o absurdo da cena.
 
O elenco traz atuações convincentes, principalmente do ator Jeffrey Dean Morgan, mas não é capaz de salvar um roteiro tão fraco.
 
Possessão é "mais do mesmo", sendo indicado apenas aos fãs do gênero.
 
 

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MARCADOS PARA MORRER (End of Watch)

 
 
por Beto Besant
 
Taylor (Jake Gyllenhaal) e Zavala (Michael Peña) são policiais de Los Angeles que gostam do que fazem e acreditam no seu poder de justiça, ainda que feita muitas vezes de forma arbitrária.
Taylor é o tipo conquistador mas que está cansado de relações rápidas e Zavala é um ex dependente químico que é apaixonado por sua mulher, que o apoiou em sua recuperação.
Devido aos seus métodos se tornam alvos de críticas da corporação, até que decidem fazer uma investigação por conta própria e acabam se envolvendo com um poderoso cartel de drogas mexicano.
 
 
 
Primeira direção do roteirista David Ayer, que assinou roteiros como Dia de Treinamento e Tempos de Violência, estreia de forma digna. Um roteiro bem construído, que mostra os policiais de forma humana, com um lado rígido e violento e outro de paixões e romances, como qualquer pessoa de suas idades.
 
Infelizmente, a profundidade que o roteiro dá aos protagonistas não é dada aos vilões, o que deixa o filme maniqueísta.
 
A direção erra ao optar por uma câmera na mão na maior parte do filme, dando a impressão de estarmos assistindo a esses programas de TV onde acompanham a rotina policial. Dessa forma, o roteiro é forçado a colocar sempre uma câmera na mão de algum dos personagens, o que acaba se tornando um "tiro no pé".
Isso porque, se a intenção era fazer o público esquecer que está assistindo a um filme, cenas onde traficantes filmam seus diálogos e ações o tornam inverossímil, chegando num momento onde acaba tendo que usar câmera objetiva (tradicional).
 
O roteiro segue alguns clichês e é um tanto previsível. No momento em que pensamos que fomos surpreendidos, a história volta ao mesmo esquema.
 
Apesar disso, as atuações são convincentes e a montagem dinâmica, o que torna o filme bastante "palatável", principalmente aos fãs do gênero.
 
 

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LAURENCE ANYWAYS (idem)

 
 
por Beto Besant
 
Laurence Alia (Melvil Poupaud) é um professor universitário que vive um sólido romance com Fred Blair (Suzanne Clément), até que decide assumir uma personalidade feminina e vestir-se como tal.
Como se pode imaginar, a tarefa não é nada fácil e vai interferir nos mais variados aspectos de sua vida. Enfrenta problemas de aceitação no trabalho, na família e nas ruas, tendo como único apoio sua (agora ex) namorada.
 
 
 
Terceiro longa-metragem do já cultuado Xavier Dolan, aborda uma temática interessante com um bom roteiro, que mostra, sem ser melodramático nem piegas, que o amor verdadeiro enfrenta todas as dificuldades.
 
Com apenas 23 anos, Dolan escreve, dirige, monta, cria os figurinos e ainda atua, sendo este o primeiro filme onde não está à frente das câmeras.
Seu ponto forte é a trilha sonora, muito impactante e que mescla com perfeição temas eruditos e contemporâneos. O melhor exemplo disso é quando apresenta uma sequência ao som da banda Depeche Mode onde nada teria funcionado melhor.
 
Também utiliza o recurso de sobrepor imagens com um texto escrito de forma bastante interessante. A fotografia é sempre bela e vibrante, com bons movimentos de câmera e enquadramentos. A direção peca por utilizar de metalinguagens óbvias, como numa cena de tristeza em que apresenta uma rua nevando, ou quando a personagem recebe uma notícia ruim e cai água em cima dela. 
 

A escolha de Melvin Poupaud para protagonizar a história mostra-se um tanto equivocada, pois o ator não convence o público com seu personagem, deixando o tempo todo aquele sentimento de "um homem vestido de mulher" (como fez Rodrigo Santoro no filme Carandiru - de Hector Babenco). A única coisa que me vinha a cabeça era: "Como este filme seria melhor se Sean Penn o protagonizasse..." 
 
Por outro lado, a atriz Suzanne Clément dá um show de interpretação, e não é à toa que foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Cannes.
 
O maior problema do filme fica por conta da montagem, pois seus 160 minutos deveriam perder no mínimo 40 minutos. Por três ou quatro vezes pensamos que o filme acabou até percebermos que o filme continuará mais um pouco. Uma pena, pois um filme que, curto seria interessante e impactante, acaba ficando monótono e "arrastado".
 
Tido como menino prodígio por uns (desde que estreou seu Eu Matei Minha Mãe com enorme sucesso) e superestimado por outros, mostra que apesar de alguns excessos e preocupações de "mostrar serviço" tem muito para apresentar e evoluir.
 
É o tipo de filme que ao terminar, mesmo após 160 minutos de projeção, faz com que fiquemos assistindo o subir dos créditos para aproveitarmos até o final sua trilha sonora eficiente e pensarmos o que faria personagens como os vistos irem a um ponto tão delicado por outra pessoa.  
 
 
 

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ARGO (idem)

 
 
por Beto Besant
 
Após a invasão da Embaixada dos Estados Unidos no Irã pela população, cinquenta e dois reféns são feitos, porém outros seis conseguem fugir e se esconder na casa do embaixador canadense.
O agente da CIA Tony Mendez (Ben Affleck) é encarregado de resgatar estes diplomatas. Para isso, o plano é simular a produção de um filme de ficção cientìfica de nome Argo onde os refugiados constariam como integrantes da equipe.
 
Baseado numa história real ocorrida em 1979, é bem dirigido por Affleck, que também é o protagonista. A direção segura tem um bom roteiro de Chris Terrio, que evita clichês e melodramas baratos. Também tem a contida atuação de Affleck  apoiada por um grande elenco, como Alan Arkin (que interpreta um produtor de cinema de Hollywood) e  Johnn Goodman (um especialista em maquiagem de efeitos). É deles que surge a maioria das boas piadas que envolvem o meio cinematográfico. Algo como rindo de si mesmos.
 
 
 
O filme apresenta imagens de arquivo que nos dão a real gravidade da situação e a semelhança entre os personagens e fatos ocorridos. Para isso, a fotografia optou por utilizar de uma resolução mais baixa e um tratamento de cor com maior intensidade e contraste, que somados a uma bela direção de arte, nos permitem assistir às imagens de arquivo inseridas no filme sem percebermos muita diferença.  Algo similar foi feito recentemente no filme No, do chileno Pablo Larrain.
 
Argo, que foi produzido pelo diretor junto com George Clooney, toca num assunto incômodo aos Estados Unidos sem tentar suavizar a política de arrogância e autossuficiência americana. Não é à toa que o fato foi escondido pelo governo durante duas décadas.
 
É possível perceber que protagonizar sua própria direção fez com que Affleck não pudesse se concentrar o necessário para o papel, se saindo melhor por trás das câmeras, em um filme que tem toda a "cara de enlatado americano" mas é bem mais que isso. 

 
 

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