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POSSESSÃO (The Possession)


por Beto Besant

Clyde (Jeffrey Dean Morgan) é separado de Stephanie Brenek (Kyra Sedgwick) e tem duas filhas, uma adolescente e outra pré-adolescente.
 
Emily (Natasha Calis), a mais nova, pede de presente uma antiga caixa de madeira vendida numa liquidação de garagem. A menina descobre que o objeto guarda coisas estranhas, como cabelos, dente e pequenos objetos antigos. Com o passar dos dias, começa a ver e ouvir fenômenos sobrenaturais, passando a agir de forma estranha. A única pessoa a perceber isso é seu pai, que é desacreditado pela mãe da menina.

Clyde procura ajuda com a comunidade judaica, por se tratar de uma lenda que diz que uma caixa de vinhos que pertenceu a uma sobrevivente do
holocasto aprisiona um demônio chamado Abyzou e trás consequências terríveis aos seus proprietários. Quem se prontifica a ajudá-lo é Matisyahu (o cantor de reggae judeu Matisyahu) um judeu nada ortodoxo que usa dreadlocks.
 
 
 
O filme usa como marketing ter se baseado numa história real e produzido por Sam Raimi (diretor de A Morte do Demônio). O fraco roteiro escrito por Juliet Snowden e Stiles White não traz nenhuma surpresa. Poderia ao menos ter desenvolvido os motivos que levaram o casal a se separar (coisa que até tentar fazer, mas de forma superficial).
 
A direção do dinamarquês Ole Bornedal, também faz o óbvio, repetindo tudo que foi feito até hoje nesse estilo de filme e realizando o que já esperamos de um filme desse tipo. Traz boa fotografia e efeitos especias, que apesar disso, chegam a cair no ridículo tamanho o absurdo da cena.
 
O elenco traz atuações convincentes, principalmente do ator Jeffrey Dean Morgan, mas não é capaz de salvar um roteiro tão fraco.
 
Possessão é "mais do mesmo", sendo indicado apenas aos fãs do gênero.
 
 

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MARCADOS PARA MORRER (End of Watch)

 
 
por Beto Besant
 
Taylor (Jake Gyllenhaal) e Zavala (Michael Peña) são policiais de Los Angeles que gostam do que fazem e acreditam no seu poder de justiça, ainda que feita muitas vezes de forma arbitrária.
Taylor é o tipo conquistador mas que está cansado de relações rápidas e Zavala é um ex dependente químico que é apaixonado por sua mulher, que o apoiou em sua recuperação.
Devido aos seus métodos se tornam alvos de críticas da corporação, até que decidem fazer uma investigação por conta própria e acabam se envolvendo com um poderoso cartel de drogas mexicano.
 
 
 
Primeira direção do roteirista David Ayer, que assinou roteiros como Dia de Treinamento e Tempos de Violência, estreia de forma digna. Um roteiro bem construído, que mostra os policiais de forma humana, com um lado rígido e violento e outro de paixões e romances, como qualquer pessoa de suas idades.
 
Infelizmente, a profundidade que o roteiro dá aos protagonistas não é dada aos vilões, o que deixa o filme maniqueísta.
 
A direção erra ao optar por uma câmera na mão na maior parte do filme, dando a impressão de estarmos assistindo a esses programas de TV onde acompanham a rotina policial. Dessa forma, o roteiro é forçado a colocar sempre uma câmera na mão de algum dos personagens, o que acaba se tornando um "tiro no pé".
Isso porque, se a intenção era fazer o público esquecer que está assistindo a um filme, cenas onde traficantes filmam seus diálogos e ações o tornam inverossímil, chegando num momento onde acaba tendo que usar câmera objetiva (tradicional).
 
O roteiro segue alguns clichês e é um tanto previsível. No momento em que pensamos que fomos surpreendidos, a história volta ao mesmo esquema.
 
Apesar disso, as atuações são convincentes e a montagem dinâmica, o que torna o filme bastante "palatável", principalmente aos fãs do gênero.
 
 

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LAURENCE ANYWAYS (idem)

 
 
por Beto Besant
 
Laurence Alia (Melvil Poupaud) é um professor universitário que vive um sólido romance com Fred Blair (Suzanne Clément), até que decide assumir uma personalidade feminina e vestir-se como tal.
Como se pode imaginar, a tarefa não é nada fácil e vai interferir nos mais variados aspectos de sua vida. Enfrenta problemas de aceitação no trabalho, na família e nas ruas, tendo como único apoio sua (agora ex) namorada.
 
 
 
Terceiro longa-metragem do já cultuado Xavier Dolan, aborda uma temática interessante com um bom roteiro, que mostra, sem ser melodramático nem piegas, que o amor verdadeiro enfrenta todas as dificuldades.
 
Com apenas 23 anos, Dolan escreve, dirige, monta, cria os figurinos e ainda atua, sendo este o primeiro filme onde não está à frente das câmeras.
Seu ponto forte é a trilha sonora, muito impactante e que mescla com perfeição temas eruditos e contemporâneos. O melhor exemplo disso é quando apresenta uma sequência ao som da banda Depeche Mode onde nada teria funcionado melhor.
 
Também utiliza o recurso de sobrepor imagens com um texto escrito de forma bastante interessante. A fotografia é sempre bela e vibrante, com bons movimentos de câmera e enquadramentos. A direção peca por utilizar de metalinguagens óbvias, como numa cena de tristeza em que apresenta uma rua nevando, ou quando a personagem recebe uma notícia ruim e cai água em cima dela. 
 

A escolha de Melvin Poupaud para protagonizar a história mostra-se um tanto equivocada, pois o ator não convence o público com seu personagem, deixando o tempo todo aquele sentimento de "um homem vestido de mulher" (como fez Rodrigo Santoro no filme Carandiru - de Hector Babenco). A única coisa que me vinha a cabeça era: "Como este filme seria melhor se Sean Penn o protagonizasse..." 
 
Por outro lado, a atriz Suzanne Clément dá um show de interpretação, e não é à toa que foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Cannes.
 
O maior problema do filme fica por conta da montagem, pois seus 160 minutos deveriam perder no mínimo 40 minutos. Por três ou quatro vezes pensamos que o filme acabou até percebermos que o filme continuará mais um pouco. Uma pena, pois um filme que, curto seria interessante e impactante, acaba ficando monótono e "arrastado".
 
Tido como menino prodígio por uns (desde que estreou seu Eu Matei Minha Mãe com enorme sucesso) e superestimado por outros, mostra que apesar de alguns excessos e preocupações de "mostrar serviço" tem muito para apresentar e evoluir.
 
É o tipo de filme que ao terminar, mesmo após 160 minutos de projeção, faz com que fiquemos assistindo o subir dos créditos para aproveitarmos até o final sua trilha sonora eficiente e pensarmos o que faria personagens como os vistos irem a um ponto tão delicado por outra pessoa.  
 
 
 

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ARGO (idem)

 
 
por Beto Besant
 
Após a invasão da Embaixada dos Estados Unidos no Irã pela população, cinquenta e dois reféns são feitos, porém outros seis conseguem fugir e se esconder na casa do embaixador canadense.
O agente da CIA Tony Mendez (Ben Affleck) é encarregado de resgatar estes diplomatas. Para isso, o plano é simular a produção de um filme de ficção cientìfica de nome Argo onde os refugiados constariam como integrantes da equipe.
 
Baseado numa história real ocorrida em 1979, é bem dirigido por Affleck, que também é o protagonista. A direção segura tem um bom roteiro de Chris Terrio, que evita clichês e melodramas baratos. Também tem a contida atuação de Affleck  apoiada por um grande elenco, como Alan Arkin (que interpreta um produtor de cinema de Hollywood) e  Johnn Goodman (um especialista em maquiagem de efeitos). É deles que surge a maioria das boas piadas que envolvem o meio cinematográfico. Algo como rindo de si mesmos.
 
 
 
O filme apresenta imagens de arquivo que nos dão a real gravidade da situação e a semelhança entre os personagens e fatos ocorridos. Para isso, a fotografia optou por utilizar de uma resolução mais baixa e um tratamento de cor com maior intensidade e contraste, que somados a uma bela direção de arte, nos permitem assistir às imagens de arquivo inseridas no filme sem percebermos muita diferença.  Algo similar foi feito recentemente no filme No, do chileno Pablo Larrain.
 
Argo, que foi produzido pelo diretor junto com George Clooney, toca num assunto incômodo aos Estados Unidos sem tentar suavizar a política de arrogância e autossuficiência americana. Não é à toa que o fato foi escondido pelo governo durante duas décadas.
 
É possível perceber que protagonizar sua própria direção fez com que Affleck não pudesse se concentrar o necessário para o papel, se saindo melhor por trás das câmeras, em um filme que tem toda a "cara de enlatado americano" mas é bem mais que isso. 

 
 

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GONZAGA - De Pai pra Filho


por Beto Besant
 
Aconteceu nesta terça-feira 16 de outubro, a exibição seguida de coletiva de imprensa do filme Gonzaga - de Pai pra Filho, no Shopping Eldorado, em São Paulo/SP. Estavam presentes: roteirista, diretor, produtoras e elenco principal.
 
O filme conta a história do sanfoneiro da cidade de Exú, no interior de Pernambuco, que mais tarde ficou conhecido como "rei do Baião" e sua conturbada relação com seu filho Gonzaguinha. Com a morte de sua mãe, Gonzaguinha foi criado por um casal amigo de seu pai. A relação entre pai e filho manteve-se distante até a década de 80, quando finalmente se aproximaram e fizeram juntos uma série de shows.
 
Breno Silveira
Apesar de ser um melodrama, gênero assumidamente preferido pelo diretor Breno Silveira, é um belo filme, muito bem escrito e dirigido. A opção por iniciar o filme com Gonzaguinha pensando em seu pai e recebendo o recado de que este quer lhe falar, desperta a curiosidade no público em saber o que acontece entre eles.
 
Mais uma vez Breno se junta à sua roteirista Patrícia Andrade, e fazem uma parceria muito afinada. Ambos sabem muito bem como contar um drama familiar e nota-se a sintonia de um produzir o que o outro espera.

A produtora Márcia Braga diz: "A história começou quando o Daniel Gonzaga (filho de Gonzaguinha) me entregou fitas onde haviam entrevistas que seu pai havia gravado com seu avô, e disse que queria conhecer a história do pai".

Com isso procurou o diretor, que percebeu que o filme deveria ser sobre a relação entre pai e filho, e não apenas sobre o filho.

Chambinho do Acordeon
O maior trunfo do filme é a escolha do elenco. Luiz Gonzaga é interpretado por Land Vieira, Chambinho do Acordeon e Adélio Lima, de acordo com a idade. O músico Chambinho do Acordeon interpreta o Rei do Baião em sua fase áurea, e além de cantar e tocar, tem um carisma impressionante.
 
O elenco tem outras grandes atuações, como Sílvia Buarque, Luciano Quirino, Nanda Costa e Cláudio Jaborandy. João Miguel e Domingos Montagner fazem participações especiais primorosas.

A preparação para interpretar o papel foi feita por Sérgio Penna (favorito em nove a cada dez atores) e consegue um bom resultado após uma seleção entre dez mil inscritos. Chambinho conta que após os testes foi até o museu de Luiz Gonzaga, enquanto fazia suas orações recebeu um telefonema informando que havia sido escolhido para o papel.
 
Júlio Andrade
O leitor deve ter percebido que ainda não mencionei o ator que interpreta Gonzaguinha, que pode-se dizer que é verdadeiramente o protagonista do filme, mesmo tendo menos cenas. O que acontece é que o ator Júlio Andrade, um dos poucos atores "camaleônicos" do cinema nacional, faz uma interpretação que mais pode ser chamada de "incorporação", como disse Breno Silveira. Sua atuação é magistral, e faz com que tenhamos a sensação de estar assistindo a um documentário com o próprio Gonzaguinha. Quem lembra do biografado ficará impressionado com a transformação do ator, que não só atua com perfeição, como ainda toca violão e canta com timbre semelhante ao de Gonzaguinha.

Land Vieira e Sílvia Buarque
O diretor conta que após dois anos para encontrar quem interpretaria Luiz Gonzaga, pois não abria mão de ter os atores principais antes de começar a produção, recebeu como segundo candidato ao teste para Gonzaguinha o ator Júlio Andrade, que não foi reconhecido por chegar já caracterizado e perguntando se poderia fumar, acendendo o cigarro com os trejeitos do personagem. Em seguida perguntou se poderia cantar. Breno diz: "Neste momento pensei, só falta atuar!"
Após alguns minutos, Breno mandou dispensar todos os outros candidatos, pois já tinha o ator.
 
"Eu crescí ouvindo Gonzaguinha porque meu pai é muito fã dele. Quando ele foi assistir ao filme disse que não estava acreditando que eu tinha feito o papel" - conta Júlio.


 
A direção de fotografia é do competentíssimo Adrian Teijido. A direção de arte de Cláudio Amaral Peixoto é boa, mas dá pequenas "escorregadas", como na cena em que Gonzaguinha dirige uma Brasília do Sudeste para o Nordeste, e o carro chega na casa de seu pai nem nenhuma poeira. Mas isso não compromete.
Como um bom melodrama, às vezes a trilha-sonora é exagerada, mas nada que impeça de se desfrutar dessa bela história real. A montagem optou por acrescentar imagens reais durante todo o filme, o que normalmente se evita para não "lembrar" o público que se trata de um filme. De qualquer forma, o elenco está tão bem que a mim não incomoda.
 
Outra virtude do roteiro e direção foi não quererem "endeusar" os personagens, apresentando-os com suas virtudes e defeitos. O que dá profundidade e deixa que o público reflita sobre as fortes personalidades mostradas.

O filme entra em cartaz na mesma época de lançamento de grandes "blockbusters". Como disse Breno Silveira: "Vamos brigar com James Bond e os vampiros do Crepúsculo". Vamos torcer para que o filme tenha uma grande bilheteria, pois merece o reconhecimento.

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A BUSCA

 
 
por Beto Besant
 
Nesta sexta-feira, dia 19/10, aconteceu em São Paulo, na Cinemateca Brasileira, a exibição do filme A Busca. Nova produção estrelada por Wagner Moura, ainda tem no elenco Mariana Lima e Lima Duarte, com direção de Luciano Moura.
 
Brás Moreau Antunes e Wagner Moura
O filme conta a história de Theo (Wagner Moura), médico cujo casamento com Branca (Mariana Lima) está em crise e o relacionamento com o filho adolescente Pedro (Brás Moreau Antunes) anda conturbado. Após muitas discussões, Pedro desaparece no final de semana em que completaria 15 anos. Seus pais descobrem que fugiu de casa. A partir daí, Theo vai em busca do filho, percorrendo locais que o fazem pouco a pouco encontrar a si mesmo.
 

Luciano Moura
Após a exibição, diretor e parte do elenco e equipe técnica conversaram com o público. Dentre eles, Wagner Moura, Brás Moreau Antunes e Adrian Teijido (Diretor de Fotografia).
 
Luciano Moura, que vem da experiência publicitária e dirigiu as minisséries Filhos do Carnaval e Cidade dos Homens, estreia na direção de longa-metragem. Faz um bom trabalho como diretor, porém deixa a desejar no roteiro, escrito em parceria com Elena Soárez. Isso porque começa bem mas vai perdendo o ritmo, apresentando situações pouco críveis ou que nada acrescentam à trama.
 
As boas atuações fazem com que esperemos um final surpreendente, ou no mínimo emocionante. Mas nada disso acontece, terminando de forma totalmente previsível e decepcionante. O filme ainda tem a participação especial de Lima Duarte.
 
A fotografia de Teijido e a trilha sonora de Beto Villares estão excelentes.
 
Não é um grande filme mas vale como passatempo, principalmente para os fãs de Wagner Moura, que diz ter aceito fazer o filme por ter gostado muito do roteiro, que é exatamente o maior problema.

 

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A PARTE DOS ANJOS (The Angel's Share)

 
 
por Beto Besant
 
Um grupo de jovens delinquentes é condenado a prestar serviços comunitários na cidade de Glasgow (Escócia). Dentre eles, Robbie (Paul Branningan), um jovem sempre envolvido em brigas e uso de drogas que, ao saber da gravidez de sua namorada, decide mudar sua história para criar seu filho longe das confusões a que está habituado. Por ser de uma família desestruturada, onde seu pai brigava com o pai de seu maior rival, ninguém acredita que possa sair dessa vida, e seu sogro tenta de todas as formas convencê-lo a largar sua namorada e mudar-se para Londres.
 
Por sorte, Henri (John Henshaw), o educador responsável, é um apaixonado por whisky e acaba descobrindo em Robbie um enorme talento para a degustação da bebida.
 
Dirigido pelo inglês Ken Loach, o filme mantém seu estilo, sempre político e ligado às questões sociais. A grande diferença é que neste caso Loach procurou uma forma divertida para apresentar a trama. Mesmo sendo um drama social, o filme vem com uma "roupagem" de comédia, despertando boas gargalhadas da plateia. O único momento em que o diretor "perde a mão" é quando insiste com a piada do jovem que se machuca ao andar de kilt (aquelas "saias" escocesas), o tipo da piada que tem graça uma vez, mas ao voltar no assunto por mais duas vezes se torna chato.
 
 
 
Com um elenco formado por atores e não-atores, Loach consegue um resultado incrível, através de seus métodos de improvisação, onde muitas vezes só um dos atores sabe o que irá acontecer na cena, fazendo com que todos os outros tenham que agir da forma mais espontânea possível. O resultado é um filme divertido, com momentos de emoção, e o drama como "pano de fundo". O elenco tem entrosamento e consegue com que o público "compre" a história.
 
É um belo filme, que nos deixa sair da sala de cinema com uma sensação mista de leveza e emoção.  Ganhou o Prêmio do Juri no Festival de Cannes deste ano.
 
O título refere-se a uma pequena quantidade de whisky que desaparece dos barris toda vez que são abertos. Para esta fração se diz que é A Parte dos Anjos. Comparando-se com a atual safra cinematográfica, pode-se dizer que este filme é a parte dos anjos da cinematografia contemporânea.
 
 

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EM NOME DE DEUS (Captive)

 
por Beto Besant 
 
Retratando um fato ocorrido em 2001, aborda o sequestro praticado pelo grupo extremista Abu Sayyaf, que exigia a independência da ilha Mindanao.
A história é contada sob a ótica de Thérèse Bourgoin (Isabelle Huppert), uma francesa que trabalhava em serviços humanitários nas Filipinas quando foi sequestrada junto com outros estrangeiros.
Após uma longa viagem de barco, são abrigados num hospital, até serem atacados pelo exército Filipino.
 
O roteiro apresenta fatos incômodos, como da sequestrada que passa a se interessar pelos sequestradores ou o sequestrado que compulsoriamente torna-se muçulmano, por acreditar que desta forma será protegido. Em certos momentos, a protagonista enfrenta seus sequestradores para que tenha o direito de enterrar uma amiga católica que morre durante o trajeto.
 
Devido ao fato do roteiro não apresentar a história pessoal dos sequestrados nem dos sequestradores, o público não se envolve muito com a trama. 
 
 
 
A direção de Brillante Mendoza tem altos e baixos, pois utiliza em grande parte do filme câmera na mão, para que a imagem fique tremida e dê a sensação de insegurança e nervosismo. Tem uma bela fotografia e produção dificílima.
 
O elenco está muito bem e os efeitos de explosão, tiros e violência são muito bons. A montagem inicia de forma eficiente, mas na segunda metade do filme perde muito o ritmo (mesmo sendo um filme de ação), com isso vai ficando lento e cansativo.
 
É um grande filme que merece ser visto, principalmente para os mais chegados ao tema, mas nã é um filme que marcará a vida de ninguém.
 
 

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MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO

 
 
por Beto Besant
 
Nesta última quinta-feira, dia 18 de outubro, aconteceu no Auditório do Ibirapuera a 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O evento contou com presenças ilustres da política brasileira e do cinema nacional e internacional. A apresentação ficou a cargo dos jornalistas Serginho Groismann, Marina Person e da diretora geral Renata de Almeida.
 
A Ministra da Cultura Marta Suplicy falou sobre os vários filmes internacionais que só eram possíveis de serem vistos através da Mostra.

Marta disse que houve uma época em que a premiação da Mostra por voto popular era a única forma do povo ter o direito de votar, o que despertou risadas por parte da plateia.

Apesar de fazer um discurso que já havia sido previamente escrito, ao sair do roteiro e se referir a Serginho Groisman o chamou de "Carlinhos".
 
 
O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab também foi uma presença ilustre no evento e comentou a importância do evento para a cultura da cidade.

Kassab e Marta saíram rapidamente do evento para acompanharem o debate dos candidatos à prefeitura da cidade.

O prefeito estava acompanhado de Augusto Calil Filho, secretário de Cultura da cidade.

Também houve a presença de Manoel Rangel, presidente da ANCINE (Agência Nacional de Cinema).



Andrei Andreiévitch Tarkóvski, filho  do lendário cineasta russo Andrei Tarkóvski (1932 - 1986), esteve presente por conta da rara exposição de polaroides de seu pai, o grande homenageado desta edição, tiradas entre 1979 e 1984. A exposição acontece no MASP (Museu de Artes de São Paulo) e fica até o dia 25 de novembro.

As fotos estão no livro "Tarkóvski - Instantâneos", vendido durante o festival.

O Cinesesc realiza uma instalação com fotografias, trechos de seus poemas e partes do filme O Espelho. Também até 25 de novembro.

Também acontecem debates no MIS, FAAP e CINUSP sobre a obra do artista.

O filho do cineasta disse estar muito feliz por saber que a obra de seu pai é tão admirada e estudada no Brasil. 

 



Outra presença importante foi do produtor Daniel Dreifuss. Produtor do filme No, escolhido para a abertura da Mostra, tem a direção de Pablo Larraín e Gael Garcia Bernal como protagonista.
O filme aborda o plebiscito organizado pelo presidente chileno Augusto Pinochet para saber se o povo queria sua permanência no governo por mais oito anos. Era uma votação planejada para que sua vitória aquietassse a pressão internacional.
 
Daniel Dreyfuss é mineiro mas reside em Los Angeles. É o responsável pela coprodução americana do filme. Explicou que Larrain e Bernal gostam muito do Brasil e só não puderam estar presentes por compromissos profissionais.
 
A 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo vai até o dia 1 de novembro. Maiores informações: www.36.mostra.org
 
 
 

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OS CANDIDATOS (The Campaign)


por Beto Besant
 
 
Cam Brady (Will Ferrell) é o típico político sem escrúpulos que se prepara para assumir o mais alto cargo do governo americano. Como não tem inteligência compatível com sua ambição, um terrível escândalo faz com que sua imagem pública fique abalada. Com isso, os empresários que financiariam sua campanha decidem lançar outro candidato: Marty Huggins (Zach Galifianakis).
 
Huggins é um tipo completamente diferente do que se imagina de um político: esquisito, tímido e com uma postura não condizente para o que se necessita.
 
Dispostos a não perderem as eleições, seus patrocinadores contratam Tim Wattley (Dylan McDermott) para mudar a imagem do candidato. O trabalho dá resultado e logo este passa a ameaçar a eleição de Huggins, que parte para o confronto disposto a tudo.
 
Dá-se início a uma disputa onde um é capaz de tudo e outro nem ousa dizer um palavrão.
 
 
Como se pode imaginar, este filme não prima por uma trama cerebral e sofisticada, vai pelo caminho fácil da comédia óbvia, e que agrada à maioria das pessoas. Poderia ter desenvolvido melhor a trama, com menos clichês e até utilizando uma pretensa comédia para tocar em assuntossérios de forma leve, porém atinge seu objetivo de fazer um humor popular e fácil de entender.
 
 
 
A direção de Jay Roach (Entrando Numa Fria e Austin Powers - Um Agente Nada Especial) faz o óbvio, sem trazer nenhuma novidade. Por sorte, Galifianakis toma o filme para si, numa interpretação impecável. John Lithgow é um ótimo ator que tem seu talento desperdiçado num personagem fraco e apagado.
 
 
Os Candidatos até consegue bons resultados, com momentos divertidos e capazes de tirar gargalhadas do público, apesar do final decepcionante, mas é do tipo "deixe o cérebro em casa para ir ao cinema dar umas risadas descompromissadas". Válido apenas para fâs do gênero.
 
 
 
 
 
 

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RELAÇÃO EXPLOSIVA (Hit and Run)

 
 
por Beto Besant
 
O casal Charles Bronson (Dax Shepard) e Annie (Kristen Bell) vive um romance conturbado, até o momento em que ela recebe uma proposta de trabalho irrecusável em Los Angeles. O namorado, que não pode voltar à cidade por estar no programa de proteção à testemunha, nem se sente bem em pedir apra que ela recuse o trabalho, decide arriscar sua vida e acompanhá-la.
 
Gil (Michael Rosenbaum) é um ex-namorado ainda apaixonado que descobre sua verdadeira identidade: Yul Perrkins, ex-assaltante de banco que será testemunha de acusação contra seus ex-parceiros, dentre eles Alex Dmitri (Bradley Cooper). Com isso, informa Dmitri sobre os passos de seu desafeto.
 
 
 
O filme foi escrito por Dax Shepard e dirigido por ele junto com David Palmer. Ou seja, Shepard escreve, dirige e é o protagonista. Este acúmulo de funções se mostra um tremendo equívoco, pois produz um filme de roteiro fraco, situações "forçadas" e cenas de perceguição entediantes. É apresentado como comédia, mas pra alguém dar risada neste filme tem que estar com muita vontade de rir.
 
O roteiro ainda apresenta a homossexualidade de alguns personagens, o que nada acrescenta à trama, apenas com o intuito de ser "engraçadinho".
 
 
 
Todos os clichês possíveis estão lá, inclusive o de mostrar mulheres lindas e sedutoras. A tentativa de se fazer um filme comercial acaba por se tornar exatamente o inverso, um tipo de filme que não agrada a ninguém. Se ao menos fosse um filme autoral, teria lá seu nicho, mas essa falsa ideia de se fazer um filme pra todos se transformou num filme pra ninguém.
 
 

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